O Papel da Diplomacia

1 set

É inegável que durante os anos da administração Lula, o Brasil ganhou força no cenário internacional. A nossa diplomacia passou a ser bem vista. Não sei se existe alguma relação. Não posso negar, no entanto que o governo Lula teve um pouco de crédito nisso.

Mas, acima de tudo, penso que estava baseado na conjuntura internacional de então.

Lula, como se diz no linguajar popular “pegou o bonde andando e foi na janelinha”. E ainda por cima, quase pôs tudo a perder com a tentativa de mediar acordos de paz no Oriente Médio. Isso sem mencionar o alinhamento com o Irã.

            A força brasileira na diplomacia internacional tem muito mais a ver com o conceito de Soft Power do que com o Hard Power. A influência nacional tem muito a ver com o tamanho de nossa economia. Tem-se aí um motivo para a crescente importância do Brasil como player nas grandes negociações multilaterais de comércio. A voz diplomática brasileira é ouvida especialmente nesse contexto onde a possibilidade de o Brasil lograr êxito ante pesos pesados do sistema mundial é muito mais verossímil.

            Porém, sempre existem deslizes. E o Irã talvez tenha sido o maior deles. Primeiro acho que o alinhamento Brasil – Irã tem muito mais a ver com o antiamericanismo evidente que existe dentro do Itamaraty e dentro do antigo Governo Lula como um todo. E esse antiamericanismo, quando extremado, leva à associações não tão lógicas.

            Penso que não deve haver interferência na formulação de políticas em outros países muito menos na execução das mesmas. No entanto uma diplomacia atuante deve buscar aliados que primam por preservar valores que nos são caros, como democracia e o direito à as liberdades individuais.

            O maior desafio diplomático brasileiro é fortalecer o processo de integração sul americano fazendo com que haja um aprofundamento de ação das instituições que se encarregam de levar tal integração à cabo. Além disso como parte de uma trajetória ascendente de inserção internacional, a diplomacia nacional deve promover uma agenda que continue a mostrar nosso caráter pacifista e ao mesmo tempo encontrar meios de dissuasão de quaisquer tipos de ação que venham minar seu potencial de negociação.

          OBS: O texto acima foi escrito há muito tempo. As opiniões que expressei acima não condizem com a minha forma atual de pensar, nem mesmo com certas nuances que historicamente se mostraram muito mais intrincadas do que em minha pressa e minha imaturidade demonstrei.

11 de Setembro – 13 anos depois

11 set

Há 13 anos, eu era bem mais jovem do que sou, havia acabado de completar 19 anos, e tinha muitas esperanças quanto ao futuro. Quando eu olho em retrospectiva, percebo que sempre gostei das questões internacionais.

Lembro-me de ter emulado grandes eventos do século passado com os meus brinquedos. Meus conjuntos Lego costumeiramente se transformavam no Muro de Berlim em queda, (embora, ainda criança, eu ficasse em dúvida com relação a disposição das cores da bandeira alemã no muro, que vez ou outra se transformava na belga).

Também frequentes eram minhas tentativas de recriar com meus brinquedos grandes batalhas da 1ª e da 2ª Guerra Mundial, a tentativa de golpe na antiga URSS em 1991, a Guerra do Vietnã, e a 1ª Guerra do Golfo com toda a sua pirotecnia. Não era prodígio coisa alguma, no entanto, todos esses movimentos internacionais me chamavam bastante atenção. Pode-se argumentar com efeito, que minha mente de garoto foi produto da emergência da transmissão da comunicação real time. Que na verdade, fui influenciado pela ascensão da cultura breaking news, que tem como principal expoente a rede de noticias norte americana CNN, e que causa calafrios aqui em terra brasilis toda vez que a vinheta do plantão da TV Globo soa.

Treze anos atrás mais ou menos nesse mesmo horário em que digito essa linha, a CNN apontou uma de suas câmeras para um dos gigantescos edifícios que ficam na parte sul da ilha de Manhattan em Nova York. Desde então tudo o que veio foi diferente. Sim, nunca antes, nunca na história, e outros modificadores absolutos, foram o que mais se ouviu desde então para definir aquela manhã e seus ecos.

Assim como acontece com todos os eventos transversais e pungentes da história, muitas pessoas adquirem o hábito de evocar o que faziam e/ou onde estavam enquanto a história foi feita.

Eu não sou diferente. Eu estava no meu trabalho em mais um dia normal do meu primeiro emprego. Já não brincava de Lego, e as internacionalidades já não eram assim tão latentes no meu dia-a-dia. Estava então me ocupando da luta pela sobrevivência. Assim como muitas pessoas naquela manhã logo começaram a fazer e ainda continuam em diversos lugares, seja no sul de uma ilha em uma alta torre, ou em um pequeno cubículo em um ermo vilarejo.

http://nowkissmelikeyoumeanit.files.wordpress.com/2011/09/911_survivor.jpegEstranho é perceber que o que aconteceu em uma ilha findou por transformar os Estados Unidos em uma ilha, isolados em seu discurso. As pessoas se tornaram ilhas, aterrorizadas, limitadas em seus direitos e intolerância. Mas o que é pior, vidas tem se tornado desde então, em Manhattan, Brooklyn, Washington, Kabul, Jalalabad, Kandahar, Bagdá, Mossul, Tripoli, Madrid, Londres, Damasco, etc. ilhas, cercadas por todos os lados por um oceano de insegurança do que deveria ser terra firme e não é.

A melhor definição de tragédia que eu conheço, vem de uma ilustração e análise do desenrolar da vida de um rei: Davi, o grande monarca de Israel. Conhecendo alguns pormenores de sua ascensão e queda, fica latente tudo o que ficou por realizar, e que, ainda que muito tivesse ele feito, muito mais poderia ser empreendido. E daí nasce a configuração da tragédia. O que é, comparado ao que poderia ter sido.

Desde treze anos atrás muito poderia ter sido e não foi. E essa é a morada da tragédia. O que não foi. E tudo é diferente agora!

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A Copa da Mundo é nossa – 7 anos depois

11 set

Esse texto foi escrito quanto ainda havia alguma esperança por parte do autor de que haveria lisura, mesmo que ínfima, nesse país.

 

Pelas minhas pesquisas o que eu descobri foi que não existe um consenso se a realização de mega eventos esportivos como a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas  são realmente benéficos para o país realizador sob o ponto de vista econômico ou social.

            Com a definição de que o Brasil será o responsável juntamente com a iniciativa privada de realizar estes próximos grandes eventos respectivamente em 2014 e 2016, gerou-se ou gera-se uma expectativa de que o retorno seja maior que o investimento.

            Falando em valores, estima-se que a próxima Copa a ser realizada no Brasil demande um investimento superior aos 40 bilhões de reais. Esse investimento destina-se tanto para a manutenção, reforma, e construção de estádios como para melhoria da infraestrutura hoteleira, de transportes e também para garantir a segurança do evento.

            Tem sido dito que em países de primeiro mundo que logram realizar eventos de tal magnitude, os benefícios e mudanças econômicas não são notados de forma tão latente quanto nos casos em que tais eventos são realizados em países em desenvolvimento.

            A Copa do Mundo mais expressiva com relação a números e recordes foi a Copa realizada nos Estados Unidos da América em 1994, vencida pelo time brasileiro. No entanto não é um consenso que essa tenha sido benéfica para o país. Pode-se ainda argumentar que o beneficio de tal copa tenha sido popularizar o esporte nos EUA. Mas não é o que se nota quando depois de 16 anos desde de sua realização ainda vemos o futebol, (ou soccer como os americanos o chamam), ainda engatinhando.

            Estima-se que a Copa do Mundo a ser realizada no Brasil irá gerar cerca de 300 mil empregos permanentes e aproximadamente o mesmo número em empregos temporários. Além disso, deve-se levar em conta que os investimentos feitos em Infraestrutura serão legados pela população.

            No entanto segundo um especialista britânico em finanças, com frequência o que se vê antes da realização de tais eventos é que o país sede tem expectativas superestimadas, que invariavelmente não se concretizam. Especialmente com relação ao incremento no número de turistas que, apregoa-se, elevam o número do consumo durante tais eventos.

            Na África do Sul antes da Copa realizada no país, já havia a perspectiva de que os grandes estádios construídos para a disputa se tornariam enormes “elefantes brancos.”

            Já com relação ao aspecto social é inegável que para o Brasil a Copa de 2014, independentemente de o time nacional vencer ou não, será motivo de orgulho para o povo, desde que seja bem organizada e principalmente que haja regulamentação rígida com respeito ao gasto da verba pública.

Segurança Internacional

19 jun

Terrorismo é a chamada política do medo. Trata-se de um conjunto de métodos e ações que visa gerar o medo e a insegurança. Essas ações incluem ataques contra alvos civis e militares. O escopo de técnicas é amplo. Varia entre: atentados suicidas, ataques biológicos, sequestro (de pessoas e aviões), assassinatos, etc.

Segurança internacional em contrapartida é todo um sistema de contenção que busca a diminuição e mesmo o cessamento de tal política.

            O combate ao terrorismo faz parte da agenda das Relações Internacionais do século XXI principalmente pelo advento de outros atores que não os Estados. As organizações terroristas internacionais se enquadram neste parâmetro. O terrorismo tornou-se um problema internacional, por conta de existir um palco mundial cuja a  integração é crescente, facilitando a implementação de práticas terroristas em uma ampla gama de territórios. Ou seja, para atingir o objetivo de chamar atenção para as suas causas e reivindicações políticas, os terroristas podem atacar alvos de seus inimigos em qualquer lugar do mundo. Continuar lendo

NSA and Brazil

18 jun

With the advent of Wi-Fi technology, we’ve watched an ever-growing cellular related innovations convergence.

However, over the last few years, concerns about wiretap on the increased metadata that has been shared as an outcome of such an increase have also grown.

The tipping point seems to be the disclosure of classified documents covering a wide web of data collecting actions, perpetrated specially by the National Security Agency in the US, against its own citizens as well as governments, politicians (including first class leaders), and citizens from all over the world.

In order to avoid having the data generated inside its territory collected by the US, Brazil has recently reached an agreement to start a discussion along with the European Union to build up a transoceanic cable infrastructure to link South America to Europe (currently South America data has to be conveyed through cables in the US).

As that seems to be basically a high politic decision, reflecting firstly state strategy rather than a citizen oriented policy, one might wonder what can be done to avoid peoples data to be invaded by others.

To meet the surging need people have to avoid wiretaps and the likes, companies are now offering to public a new generation of smartphones. Recently (March, 2014) during an Telecommunications Exhibition in Frankfurt, Germany, companies such as Deutsche Telekom e Vodafone unveiled new mobile models, making a case that it’s rather reasonable to conciliate privacy with technology.

Souce: http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/empresas-mostram-solucoes-antigrampo-em-feira-de-computacao

A Copa do Mundo e a Copa da FIFA

12 jun

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Eu nasci há aproximadamente 32 anos atrás. Era o início da madrugada do dia 17 de Junho de 1982. Naquele ano a Copa do Mundo de futebol era realizada na Espanha. O time brasileiro reunia uma das mais espetaculares e talentosas formações de todos os tempos.  A vitória era uma questão de tempo apenas. Parecia que nada privaria aquele time da glória. No dia seguinte o Brasil daria um verdadeiro show em cima da Escócia. E assim a festa prosseguiu até a derrota para a Itália.

Ao longo desses 32 anos, a paixão das pessoas pelo futebol só fez crescer assim como o tamanho do evento Copa do Mundo.

Um exemplo de tal envergadura deveria servir como uma plataforma para a unificação democrática que a prática esportiva propícia de maneira ímpar. No entanto o que se observa é a polarização dos mandos através dos desmandos das elites administrativas que dominaram o esporte.

ImagemA Copa do Mundo deixou de ser das pessoas, e passou a ser dos executivos, a Copa da FIFA. A paixão quase religiosa pelo futebol, entretanto não desapareceu. Ela está lá, talvez até mais forte. Mas no processo, essa paixão foi vítima de um procedimento descarado e mesquinho de manipulação para atender às ambições puramente mercantilistas da FIFA, seus patrocinadores, e os Governos dos países sedes que são cúmplices das barbáries perpetradas em nome do maior espetáculo da Terra.

Mas no final das contas todos esses grupos organizados não passam de pessoas. E é aí que começa o real problema. Culpar A, B ou C, torna-se menos relevante ao deparar-se com manifestações como:

“Desculpa povo brasileiro

Eu vou sim assistir a Copa do Mundo

Eu vou sim vestir a camisa do Brasil.

Eu vou sim torcer pela Seleção Brasileira”

Terminando de maneira trágica:

“A roubalheira já foi feita, e o meu protesto será na hora do voto”

ImagemEu fico embasbacado com tanta necedade. Eu fico combalido com o estado letárgico de um povo em que depositei confiança há apenas um ano. Uma geração que teria sido capaz de trazer a mudança e iniciar a transição para o Brasil em que eu gostaria de viver.

E tão estranho que em um ano as hashtags #ogiganteacordou, #verasqueumfilhoteunaofogeluta, entre tantas outras, deram lugar a fatídica #vaitercopa!

Existem evidentemente alguns que ainda se importam. Nesse exato momento em que eu escrevo esse post, eles estão nas ruas, levando balas de borracha, respirando gás lacrimogênio e aspirando uma nação mais justa.

Eu não posso condenar os métodos. Mas posso louvar os fins.

Eles são os “vândalos, os bárbaros”.

Os Romanos qualificavam assim os que queriam causar rupturas na ordem “Panis et Circenses”.

“Mascarados”, assim como as grandes figuras públicas desse país, que vestem a máscara e o uniforme da benevolência e simpatia.

E agora todos estão vestindo o uniforme da “alegria e ousadia”, retirando o uniforme da insatisfação e mudança.

Tudo aqui é feito de última hora, deixado para depois. “A minha resposta será dada em Outubro”, por hora ainda é Junho.

Por fim ao povo verde e amarelo ficam postas as perguntas:

Quem irá pedir desculpas quando o seu filho não receber atendimento adequado em um hospital público?

Quem irá pedir desculpas para quem quando sua filha for estuprada por um criminoso que deveria estar preso e não está?

Quem irá pedir desculpas quando uma bala perdida perfurar o teu peito, logo você que carregou a “alegria canarinha no coração” no dia de hoje, e adiou o compromisso moral com o futuro do teu país pela Copa da FIFA?

No fim das contas, chegamos ao padrão FIFA: conivência, inoperância, omissão. A Copa é da FIFA, do Mundo, do Povo.

Eu não torço pela Seleção. Eu torço pelo Brasil!

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NIGÉRIA: DIREITOS HUMANOS E DEMOCRACIA

11 jun

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O seguinte texto foi escrito antes da escalada da violência que tem afetado a Nigéria em tempos recentes.

Assim como o resto de uma grande parte da África, a Nigéria é grandemente influenciada por abusos com relação aos direitos humanos. Localizada em um continente onde a vida tem menos valor do que os minerais que abundam no território, a Nigéria fica longe de ser um exemplo neste aspecto, e a perspectiva que paira sobre o país é ainda sombria.

As divisões políticas em grande parte da África, não acompanham as divisões étnicas, sendo essa uma das raízes de grande parte dos conflitos locais. Como não poderia ser diferente, graças à imensa população e não apenas isso, a grande diversidade dentro desse conglomerado humano, o país, o mais populoso da África, é um poderoso reflexo de tudo o que acontece no resto do continente. A Nigéria é um caldeirão étnico com mais de 250 grupos distintos. As lutas tribais, somadas ao governo corrupto, tornam-se terrenos férteis para a perpetração de atos brutais contra os direitos humanos.

Dentre estes atos podem ser destacados: Continuar lendo