11 de Setembro – 13 anos depois

11 set

Há 13 anos, eu era bem mais jovem do que sou, havia acabado de completar 19 anos, e tinha muitas esperanças quanto ao futuro. Quando eu olho em retrospectiva, percebo que sempre gostei das questões internacionais.

Lembro-me de ter emulado grandes eventos do século passado com os meus brinquedos. Meus conjuntos Lego costumeiramente se transformavam no Muro de Berlim em queda, (embora, ainda criança, eu ficasse em dúvida com relação a disposição das cores da bandeira alemã no muro, que vez ou outra se transformava na belga).

Também frequentes eram minhas tentativas de recriar com meus brinquedos grandes batalhas da 1ª e da 2ª Guerra Mundial, a tentativa de golpe na antiga URSS em 1991, a Guerra do Vietnã, e a 1ª Guerra do Golfo com toda a sua pirotecnia. Não era prodígio coisa alguma, no entanto, todos esses movimentos internacionais me chamavam bastante atenção. Pode-se argumentar com efeito, que minha mente de garoto foi produto da emergência da transmissão da comunicação real time. Que na verdade, fui influenciado pela ascensão da cultura breaking news, que tem como principal expoente a rede de noticias norte americana CNN, e que causa calafrios aqui em terra brasilis toda vez que a vinheta do plantão da TV Globo soa.

Treze anos atrás mais ou menos nesse mesmo horário em que digito essa linha, a CNN apontou uma de suas câmeras para um dos gigantescos edifícios que ficam na parte sul da ilha de Manhattan em Nova York. Desde então tudo o que veio foi diferente. Sim, nunca antes, nunca na história, e outros modificadores absolutos, foram o que mais se ouviu desde então para definir aquela manhã e seus ecos.

Assim como acontece com todos os eventos transversais e pungentes da história, muitas pessoas adquirem o hábito de evocar o que faziam e/ou onde estavam enquanto a história foi feita.

Eu não sou diferente. Eu estava no meu trabalho em mais um dia normal do meu primeiro emprego. Já não brincava de Lego, e as internacionalidades já não eram assim tão latentes no meu dia-a-dia. Estava então me ocupando da luta pela sobrevivência. Assim como muitas pessoas naquela manhã logo começaram a fazer e ainda continuam em diversos lugares, seja no sul de uma ilha em uma alta torre, ou em um pequeno cubículo em um ermo vilarejo.

http://nowkissmelikeyoumeanit.files.wordpress.com/2011/09/911_survivor.jpegEstranho é perceber que o que aconteceu em uma ilha findou por transformar os Estados Unidos em uma ilha, isolados em seu discurso. As pessoas se tornaram ilhas, aterrorizadas, limitadas em seus direitos e intolerância. Mas o que é pior, vidas tem se tornado desde então, em Manhattan, Brooklyn, Washington, Kabul, Jalalabad, Kandahar, Bagdá, Mossul, Tripoli, Madrid, Londres, Damasco, etc. ilhas, cercadas por todos os lados por um oceano de insegurança do que deveria ser terra firme e não é.

A melhor definição de tragédia que eu conheço, vem de uma ilustração e análise do desenrolar da vida de um rei: Davi, o grande monarca de Israel. Conhecendo alguns pormenores de sua ascensão e queda, fica latente tudo o que ficou por realizar, e que, ainda que muito tivesse ele feito, muito mais poderia ser empreendido. E daí nasce a configuração da tragédia. O que é, comparado ao que poderia ter sido.

Desde treze anos atrás muito poderia ter sido e não foi. E essa é a morada da tragédia. O que não foi. E tudo é diferente agora!

https://i0.wp.com/globaledgemedia.yolasite.com/resources/911.jpg

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