A Copa do Mundo e a Copa da FIFA

12 jun

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Eu nasci há aproximadamente 32 anos atrás. Era o início da madrugada do dia 17 de Junho de 1982. Naquele ano a Copa do Mundo de futebol era realizada na Espanha. O time brasileiro reunia uma das mais espetaculares e talentosas formações de todos os tempos.  A vitória era uma questão de tempo apenas. Parecia que nada privaria aquele time da glória. No dia seguinte o Brasil daria um verdadeiro show em cima da Escócia. E assim a festa prosseguiu até a derrota para a Itália.

Ao longo desses 32 anos, a paixão das pessoas pelo futebol só fez crescer assim como o tamanho do evento Copa do Mundo.

Um exemplo de tal envergadura deveria servir como uma plataforma para a unificação democrática que a prática esportiva propícia de maneira ímpar. No entanto o que se observa é a polarização dos mandos através dos desmandos das elites administrativas que dominaram o esporte.

ImagemA Copa do Mundo deixou de ser das pessoas, e passou a ser dos executivos, a Copa da FIFA. A paixão quase religiosa pelo futebol, entretanto não desapareceu. Ela está lá, talvez até mais forte. Mas no processo, essa paixão foi vítima de um procedimento descarado e mesquinho de manipulação para atender às ambições puramente mercantilistas da FIFA, seus patrocinadores, e os Governos dos países sedes que são cúmplices das barbáries perpetradas em nome do maior espetáculo da Terra.

Mas no final das contas todos esses grupos organizados não passam de pessoas. E é aí que começa o real problema. Culpar A, B ou C, torna-se menos relevante ao deparar-se com manifestações como:

“Desculpa povo brasileiro

Eu vou sim assistir a Copa do Mundo

Eu vou sim vestir a camisa do Brasil.

Eu vou sim torcer pela Seleção Brasileira”

Terminando de maneira trágica:

“A roubalheira já foi feita, e o meu protesto será na hora do voto”

ImagemEu fico embasbacado com tanta necedade. Eu fico combalido com o estado letárgico de um povo em que depositei confiança há apenas um ano. Uma geração que teria sido capaz de trazer a mudança e iniciar a transição para o Brasil em que eu gostaria de viver.

E tão estranho que em um ano as hashtags #ogiganteacordou, #verasqueumfilhoteunaofogeluta, entre tantas outras, deram lugar a fatídica #vaitercopa!

Existem evidentemente alguns que ainda se importam. Nesse exato momento em que eu escrevo esse post, eles estão nas ruas, levando balas de borracha, respirando gás lacrimogênio e aspirando uma nação mais justa.

Eu não posso condenar os métodos. Mas posso louvar os fins.

Eles são os “vândalos, os bárbaros”.

Os Romanos qualificavam assim os que queriam causar rupturas na ordem “Panis et Circenses”.

“Mascarados”, assim como as grandes figuras públicas desse país, que vestem a máscara e o uniforme da benevolência e simpatia.

E agora todos estão vestindo o uniforme da “alegria e ousadia”, retirando o uniforme da insatisfação e mudança.

Tudo aqui é feito de última hora, deixado para depois. “A minha resposta será dada em Outubro”, por hora ainda é Junho.

Por fim ao povo verde e amarelo ficam postas as perguntas:

Quem irá pedir desculpas quando o seu filho não receber atendimento adequado em um hospital público?

Quem irá pedir desculpas para quem quando sua filha for estuprada por um criminoso que deveria estar preso e não está?

Quem irá pedir desculpas quando uma bala perdida perfurar o teu peito, logo você que carregou a “alegria canarinha no coração” no dia de hoje, e adiou o compromisso moral com o futuro do teu país pela Copa da FIFA?

No fim das contas, chegamos ao padrão FIFA: conivência, inoperância, omissão. A Copa é da FIFA, do Mundo, do Povo.

Eu não torço pela Seleção. Eu torço pelo Brasil!

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