O QUE É JIHAD

23 abr

É certo que o conceito do Jihad como termo corrente e seu uso em tom de embate físico, não foi concebido apenas sob o prisma afegão. Mais ainda, não foi idealizado em um único momento. E ainda, não se trata de um termo recente.

Porém o Jihad marca profundamente a história do Afeganistão. O país é a base de testes do que é formulado nas mentes de defensores ferrenhos do Islã do mundo todo que não hesitam pegar em armas para a defesa de suas concepções religiosas contra aqueles que julgam deturpá-las.

Mas de fato, o que é o Jihad?

Responder a essa pergunta é de fundamental importância para se entender a história não só do Afeganistão, como do próprio mundo contemporâneo.

Afirma Ahmed Rashid:

 

No pensamento ocidental, fortemente influenciado pelas Cruzadas cristãs medievais – com suas próprias ideias sobre a ‘Guerra Santa’ – o Jihad sempre foi descrito como uma guerra islâmica contra os infiéis. Os ocidentais apontam para […] o vasto Império Otomano, […] enfatizando o derramamento de sangue e ignorando não só as grandes realizações nas ciências e nas artes e a tolerância básica […], como também a verdadeira noção de Jihad que se disseminou pacificamente […]. A militância não é a essência do Jihad.

 

Na concepção de Maomé, o principal bastião da religião islâmica, o Jihad é uma análise individual do devoto e uma tentativa de vencer o mal inerente que permeia os homens. O objetivo é ser um individuo melhor. É portando uma luta interna, travada no âmago de cada um, buscando a grande meta do muçulmano: submissão à vontade de Alá.

Não obstante, além de ser um exercício religioso de análise moral, cabe aqui um inquérito mais amplo do conceito.

O Jihad pode ser dividido em o “pequeno Jihad” e o “grande Jihad”. O pequeno Jihad lida com o aval canônico com o qual o Islã assegura a legitimidade da rebelião que visa à deposição de um governante injusto, quer seja muçulmano ou não. Esse é um conceito de cunho em grande escala social e político.

Já o grande Jihad trata do domínio do dito homem natural, conforme tratado anteriormente.

Maomé personificou os dois conceitos ao longo de sua trajetória, lutando contra sua essência e também militando e advogando por uma sociedade mais justa.

Como é evidente atualmente, houve ao longo do tempo uma grande deturpação do conceito ensinado por Maomé. Ahmed Rashid argumenta:

 

Hoje, os movimentos mundiais do Jihad, do Talibã no Afeganistão, passando pela mundialmente famosa Al Qaeda de Osama Bin Laden e chegando ao Movimento Islâmico do Uzbequistão (MIU), ignoram o grande Jihad pregado pelo profeta e adotam o pequeno Jihad como uma filosofia político-social acabada.

 

A radicalização do conceito do Jihad aconteceu por etapas não facilmente identificáveis.

 

Se Deus e o Islã e do profeta Muhammad [sic] oferecem sustentação para que os devotos muçulmanos investiguem suas almas e busquem sentido no mundo complexo e em constante transformação de hoje, os novos grupos de Jihad reduzem o Islã ao tamanho da barba de um homem e à questão de saber se é permitido às mulheres veladas pela burca expor seus tornozelos.

 

Quanto à formação de uma rede que apregoasse um reavivamento do Islã através do que acontecia no Oriente Médio, notadamente a Revolução Islâmica do Irã em 1979, repercutiu pouco ou nem mesmo chegou a ser notada dentro da área da Ásia central que pertencia ou estava dentro da zona de influência da União Soviética.

Frequentemente jihadistas, ou extremistas islâmicos são designados como fundamentalistas islâmicos.

 

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