OS ESTADOS UNIDOS E O SOFT POWER

26 ago

            Os Estados Unidos da América analisados enquanto potência, ocupam um lugar único na história humana. Nunca antes uma nação alcançou tanto em tantas áreas quanto os EUA o fizeram ao longo do século 20. O poderio econômico alcançado a partir da Segunda Grande Guerra Mundial, o incomparável exército maximizado pelas maiores tecnologias disponíveis, e claro, o seu poder cultural, traduzido em grande medida por Hollywood, que globalizou ao longo do último século, o american way of life.

É quase que indiscutível que os EUA atingiram o auge de seu Soft Power na década de 90 durante o período pós-guerra do Golfo até o final do governo Clinton. Durante o período os mais apressados chegaram a anunciar o fim da história, tão grande era a superioridade norte americana e principalmente por não haver mais sobre a Terra uma única nação capaz de desafiar o “império americano”. Em termos de Hard e Soft Power a América se tornou imbatível. Embora possa ser argumentado, com efeito, que a aura de libertadores que os EUA ganharam logo após as Guerras Mundiais já havia se esvaecido, ainda havia algo de desejável sobre a América.

A cultura americana ainda hoje está em todos os lugares. Mas desde o fim dos anos 90 e principalmente após o 11 de Setembro e a Doutrina Bush, o poder de atração e persuasão do Soft Power americano reduziu-se enormemente.

Existe de forma cada vez mais crescente um sentimento antiamericano ao redor do globo, movimento esse fomentado em grande parte pelos movimentos antiglobalização, que enxerga o american way of life e a corrente globalizante como uma entidade apenas.

Após o 11 de Setembro, a Doutrina Bush que previa ações preventivas a fim de se evitar qualquer ameaça contra os interesses norte americanos, foi mal vista, principalmente nos países orientais, dentre esses em maior escala no oriente médio. A teoria de choque de civilizações elaborado por Samuel P. Huntington por ser descritiva do fenômeno atual, não deixa de ter um lado profético. Mas talvez a grande derrocada do Soft Power americano foi a invasão do Iraque em 2003, e o malfadado conflito que se seguiu à invasão Americana no Afeganistão, iniciada em 2001.

Elizabeth Economy diz:

                                            “É muito difícil para o Soft Power dos Estados Unidos competir com o nosso engajamento no Iraque.”

Mas, em 2008, outro novo e grande baque. A crise da bolha imobiliária norte americana que desencadeou uma crise econômica mundial de proporções épica, somente comparável na história à crise decorrida da quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929.

Com a economia combalida e combatendo duas guerras extremamente impopulares, tanto dentro quanto fora dos Estados Unidos, o Soft Power americano chegou a um beco sem saída. Ou mudava-se a direção ou o Hard Power (extremamente impopular nas democracias pós-modernas), ditaria a regra.

Foi o que percebeu a administração de Barack Obama. O primeiro presidente negro dos EUA, juntamente com sua antiga concorrente democrata à casa Branca, Hillary Clinton, tem viajado pelo globo e/ou estado em contato com grande parte das lideranças mundiais, no sentido de refazer a imagem que a América carregava de forma inerente: àquela de uma nação que defende direitos como a liberdade individual e de expressão, democracia e livre iniciativa.

Percebe-se que em um ambiente de crise econômica, no qual a manutenção do Hard Power torna-se um peso quase que insuportável (até mesmo para a única superpotência) de se carregar, o melhor a fazer é resgatar o Soft Power e buscar aliados pela persuasão ao invés de ameaças. Talvez ainda pior do que a crise financeira seja a crise de identidade. Fica a dúvida, que imagem forjar e tentar vender ao resto do mundo?

Com relação ao Soft Power levado a cabo pela agora Secretária de Estado dos EUA, um bom exemplo tem sido a maneira, ou abordagem que ela vem utilizando em seus compromissos ao redor do mundo.

Ele está dando prioridade em suas viagens a encontros com estudantes, defensores dos direitos humanos e ativistas femininas como o que aconteceu em sua estada no Brasil. Ela tem falado também sobre o “potencial dado por Deus” (em inglês GGP – God Given Potential). O estilo da Secretária Clinton mostra aí suas diferenças com relação à sua antecessora em Washington, Condoleezza Rice, que conduzia a política externa de uma forma mais sisuda. No entanto como puderam ser verificados no Brasil, os largos sorrisos servem apenas como fachada. A mensagem, de certa forma subliminar, foi bem forte: ‘afastem-se do Irã’.

Já o presidente Barack Obama terá de tecer uma teia de aliados para finalizar o conflito no Afeganistão e melhorar as condições econômicas no país. Algo que já vem fazendo com êxito. Essas duas questões são preponderantes para sua eventual reeleição. E esse parece ser um interessante caso de como o Soft Power tem implicações tanto na esfera internacional quanto doméstica.

O prêmio Nobel da Paz recebido pelo presidente norte americano no ano de 2009 é um bom exemplo de quão bem essa nova empreitada norte americana tem sido bem sucedida. Apesar de toda a controvérsia em torno da escolha de Obama como receptor do prêmio (os críticos acharam entre outras coisas muito cedo para laurear Obama com tal honra, além de não identificarem nele ações que justificassem o mérito), o prêmio em si adiciona para sua capacidade e consequentemente a capacidade de seu país de realizar o Soft Power. As guerras, apesar de não resolvidas estão sendo levadas a uma conclusão. Busca-se um novo estímulo ao intercâmbio educacional, e uma revitalização de parcerias. Mas principalmente, com a ascensão só Soft Power de outras nações, e a percepção da mudança do eixo de poder do Oeste para o Leste, perseguem uma maior aproximação e manutenção do status quo no extremo oriente.

 

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