O SOFT POWER CHINÊS

15 ago

O enorme desenvolvimento econômico que a China vive a mais de duas décadas tem sido o pano de fundo para a sua política externa baseada no Soft Power. A inovação que o Soft Power chinês traz com relação ao modelo norte americano (que será analisado a diante) é a evidente busca por parceiros que se encontram em estado de desenvolvimento econômico. No entanto esse não é o único requisito.

O apelo chinês tem crescido. Segundo Elizabeth Economy, diretora de estudos asiáticos para o Council on Foreign Relations, “os chineses tem historicamente tido uma rede bem estabelecida para promover esse tipo de influência”.

Um grande passo foi a realização das Olimpíadas de 2008.

Outro especialista em política contemporânea chinesa e professor adjunto de relações internacionais na New School University argumenta que a China utiliza-se de seu Soft Power juntamente com o seu Hard Power baseado em um forte exército e em uma economia que só perde em poder de abalar os mercados mundiais, para a norte americana. Segundo ele:

A China, como um membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas com direito a veto, pode afetar o destino de muitos Estados”.

Um grande incentivo para o Soft Power chinês é a iniciativa do governo de expandir o intercâmbio cultural com o ocidente. Mas não apenas o ocidente. O escopo de ação é também mais próximo geograficamente, junto ao sudeste asiático.

Existe ainda um desejo de que se aumente o ensino do mandarim em universidades americanas e também ao redor do mundo. A China planeja construir mais de cem novos centros de cultura e idioma em todo o globo.

No sudeste asiático onde o Soft Power chinês encontra-se bem estabelecido, este se manifesta por meio da cultura, culinária, caligrafia, cinema, artes, acupuntura, medicina e moda.

Existem além do sudeste asiático, outros centros para onde o Soft Power chinês tem se expandido, o que faz crer que a estratégia chinesa para e expansão de sua esfera de influência concentra-se em avançar por regiões ao invés de assumir uma postura que prime pela abordagem global.

As maiores conquistas que a diplomacia baseada no Soft Power que a China busca alcançar são:

1                     Convencer o mundo de suas intenções pacíficas;

2                     Assegurar recursos para continuar seu grande crescimento econômico;

3                     Isolar e minar o poder de Taiwan

4                     Estabelecer-se como um grande player no campo mundial em oposição ao Ocidente e principalmente aos Estados Unidos.

Um dos pontos de enfoque da China é a América do Sul, onde a influência e o interesse chinês tem sido uma excelente alternativa aos interesses norte americano na região.

De acordo com Julia Sweig do Council on Foreign Relations, a influência chinesa tem sido vista como benigna. Nos últimos anos a China investiu mais de 50 bilhões de dólares na região além de ter negociado algo em torno de 400 acordos de comércio e investimento com os países da América Latina.

Os objetivos chineses na região são:

1                     Assegurar recursos

2                     Mudar a postura dos países sul americanos com relação a Taiwan

Na África também outro centro de desenvolvimento do Soft Power chinês a intenção é garantir acesso a matrizes energéticas. Os métodos foram enumerados por Princeton Lyman, também do Council of Foreign Affairs. Seguem:

1        Professar solidariedade à África em fóruns internacionais sobre comércio e assuntos de direitos humanos;

2        Perdoar mais de um bilhão de dólares em divida de países africanos;

3        Enviar mais de 900 médicos por toda a África;

4        Efetuar grandes investimentos em infraestrutura, agricultura e energia, entre outros.

Apesar de todo esse apelo que o Soft Power chinês exerce, existe quase que um consenso entre os analistas ao afirmar que a absorção dessa influência se faz muito mais por temor do que por mero desejo. A China tem como principais desafios ligados a sua imagem propagadora do Soft Power, suas questões internas ligadas aos direitos humanos e problemas ambientais. Além disso, é argumentado que seu modelo de estado comunista também não é desejável para a maioria dos estados. Em suma o Soft Power chinês é mais baseado em galhos do que o brasileiro.

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