Soft Power – Definição

26 jul

            O Soft Power (que traduzido do  inglês significa poder suave) é um termo novo em Relações Internacionais. O termo foi cunhado pelo célebre pensador Joseph Nye da Universidade Harvard.

            Nye argumenta que existe um parâmetro ou mesmo teoria perceptível dentro das Relações Internacionais, que demonstra que existe um poder suave (Soft Power em contraste ao Hard Power), que é caracterizado por elementos como mídia e cultura.

            Para se entender o Soft Power é importante definir as formas básicas de como o poder é exercido sobre outros. Segundo Nye:

                                   “Você pode coagi-los com ameaças. Você pode induzi-los com pagamentos. Ou você pode atrai-los ou cooptá-los.”

                 Sabendo como o poder pode ser exercido, cabe a pergunta: mas enfim, o que é o poder?

                Nye define assim:

                                   “(…) poder é a habilidade de influenciar o comportamento dos outros para conseguir o resultado que se quer.”

                 Toda a questão do poder está ligada a legitimidade de quem o exerce. Quanto menor o grau de legitimidade, mais tal possuidor do poder deverá buscar meios calcados na coerção para que tal poder possa ser eficaz culminando com o cumprimento de seus anseios. Já em um quadro em que o possuidor do poder, também tenha um maior grau de legitimidade, os métodos do exercício de tal poder serão baseados na persuasão.

            Por isso o poder enquanto mera capacidade executiva, não necessariamente significa que os resultados obtidos de tal poder serão os desejáveis.

            Outro ponto importante às vezes negligenciado para a compreensão do Soft Power é quanto à natureza do poder. O poder quantificável, ou Hard Power, que pode ser traduzido como o número de soldados ativos que um determinado país possui, o  número de armas nucleares, ou mesmo o tamanho do PIB ou de sua população, podem trazer facilidade para a medição de poder. No entanto esse poder não significa a obtenção ou a prevalência dos interesses de tal nação. Um exemplo que Joseph Nye cita com relação a esse aspecto é o dos próprios EUA. Ele diz:

                                               “(…) em termos de recursos os Estados Unidos era a única superpotência do mundo em 2001 mas fracassaram em prevenir o 11 de Setembro.”

             Joseph Nye analisa o Soft Power em algumas situações históricas conhecidas:

                                               ”Quando os Estados Unidos prestaram insuficiente atenção para  temas de legitimidade e credibilidade da forma que procederam com sua política para o Iraque, as pesquisas de opinião mostraram uma dramática queda do Soft Power americano. Isso não preveniu os Estados Unidos de entrarem no Iraque, mas significou que eles tiveram que pagar um alto preço em sangue e riqueza do que pagariam tivesse o caso sido diferente. Da mesma forma, se Yasser Arafat tivesse escolhido o modelo de soft power de Gandhi ou Martin Luther King ao invés do hard power do terrorismo, ele poderia ter atraído israelenses moderados e agora teria um estado palestino.”

             Resumidamente, Soft Power é a capacidade ou poderio, que um ator de Relações Internacionais (geralmente um Estado formalmente constituído) possui de impor ou fazer valer sua vontade sobre outro ator, se valendo de meios que diferem daqueles apregoados pelo Hard Power (que em suma, versa pelo poder por meio de meios físicos como armamentos e PIB de uma nação).        Esses meios conforme supracitado tem contornos culturais fortes. Possuem uma forte inclinação para o campo das ideias.

Nye assim o sintetiza:

                                   “O conceito básico de poder é a habilidade de influenciar outros a fazer o que você quer. Há três maneiras de se fazer isto: uma delas é ameaçá-los com galhos; a segunda é comprá-los com cenouras; e a terceira é atrai-los ou cooperar com ele para que queiram o mesmo que você. Se você conseguir atraí-los a querer o que você quer, te custarão muito menos cenouras e galhos.”

            A máxima está então baseada em se conseguir o que se quer sem ter de se valer em conceitos relacionados ao uso da força e coerção que são os elementos constitutivos do Hard Power, o contrapeso do Soft Power.

            O Soft Power é baseado na persuasão ao invés da coerção.

            Então qual é o papel de elementos do Hard Power em uma diplomacia calcada no Soft Power?

            Tomando a analogia do próprio Joseph Nye emprestada, os elementos do Hard Power podem ser  categorizados como os galhos aos quais ele se referiu. Você simplesmente precisa ter galhos, como um método de coibição, que enquanto não usados não podem ser chamados de coercitivos, por essa expressão, estar claramente ligada com o uso da força.

            Um país, por exemplo, que possua armamentos nucleares suficientes para coibir outro Estado, não necessita lançar mão destes para impor sua vontade por meio de uma diplomacia baseada no Soft Power. Evidente que armamentos nucleares devem ser categorizados como parte constituinte do que se convém chamar Hard Power. Não obstante, servem apenas para embasar o Soft Power, embora não sejam seus elementos principais.

            Além disso, ainda sobre a analogia de Nye, os elementos do Hard Power podem ser além de ameaçadores (galhos), indutores, ou agentes persuasivos (cenouras). Quando assumem essa forma geralmente se apresentam sob a forma de um PIB volumoso, ou de uma economia bem desenvolvida.

            Joseph Nye começou a usar o termo Soft Power em 1990, quando da publicação de seu livro Bound to Lead: The Changing Nature of American Power.  Como o próprio nome de seu livro diz Nye percebeu uma mudança no peso que fatores como poderio militar e econômico representariam no futuro e na maneira de como as nações exerciam o poder e influenciavam outras. Era um ‘questionável’ mundo novo.

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