Afeganistão – o indomável cemitério de impérios

5 jul

            O epíteto cemitério de impérios[1] pode soar pretensioso quando contrastado com  a realidade afegã.

            Na maioria dos relatórios internacionais que medem os países baseados nos mais diversos indicadores, o Afeganistão aparece sempre nas últimas posições (no caso dos indicadores que denotam qualidades), e com as primeiras posições (quando o que os relatórios evidenciam problemas crônicos).

            Por que então o território é tão temido, mesmo para a mais bem equipada e amparada tecnologicamente força armada da história? Dois fatores são primordiais para chegar à uma resposta. São eles:

Geografia

            O Afeganistão localiza-se estrategicamente em uma antiga rota entre o sul e o norte da Ásia, razão essa que tornou o território extremamente disputado no passado.

            A área do Afeganistão é de aproximadamente 67.500 km². Sem saídas para o mar o país faz fronteira com a China, Irã, Tajiquistão, Turcomenistão, Usbequistão e Paquistão[2].

            O terreno é majoritariamente montanhoso e árido. O norte do país é extremamente frio no inverno. A região montanhosa de Tora Bora, serviu de abrigo aos mujahidin durante os combates contra a URSS invasora e durante os ataques norte americanos[3].

            O frio e as altas montanhas dificultaram ao máximo a logística da operação dos EUA em 2001.

Demografia

            Apesar de a maioria da população do Afeganistão ser islâmica, o país não goza de coesão  nacional. Existe uma grande divisão em facções e tribos[4]. Com efeito: a guerra civil que se seguiu no vácuo deixado pela invasão da URSS foi causada em grande medida pelos conflitos entre estas facções. O grupo étnico majoritário é o pashtun, representando 44% da papulação. Os Tajiques vem na sequência. Há ainda outros grupos menores como os hazaras, aimaks, turquemenos, uzbeques balúchis e outros.


[1]              Do inglês Graveyard of Empires, que compõe o título de um dos livros do renomado analista Seth Jones, especialista sobre o Afeganistão. A obra é ainda inédita no Brasil.

[2]              Talvez a fronteira mais problemática sob o ponto de vista da contra insurgência, por ser uma região de difícil acesso e controlada por um conjunto de tribos. Acreditava-se que Osama Bin Laden esteria abrigado nessa área sob a tutela tribal

[3]             A região abriga um extenso conjunto de cavernas que servia além de abirgo para terroristas, como       repositório de armas e outros suplimentos. O complexo foi maciçamente bombardeado quando da invasão norte americana nos Estados Unidos, mas o intuito de abater ou capturar Osama Bin Laden e/ ou outros líderes influentes da Al Qaeda malogrou.

[4]              Esse fator foi particularmente um empecilho para os EUA que tentaram subornar e fazer com que as fileiras do Talibã fossem diminuídas. As ações da CIA nesse sentido foram baseadas na entrega de milhões de dólares aos líderes tribais, na tentativa de se tecer uma coalizão interna para o combate contra a Al Qaeda, o que em um primeiro momento funcionou, apesar da volatilidade destes líderes.

2 Respostas to “Afeganistão – o indomável cemitério de impérios”

  1. Karla Leão 6 de julho de 2011 às 23:51 #

    Quando eu crescer quero ser igual a você!
    Mandou bem nesse blog! Gostei mesmo!
    Boa sorte no seu TC! vai arrasar!

  2. Luiz França 26 de julho de 2011 às 01:12 #

    Ah que isso Karla. Nem francês eu falo ainda!
    Obrigado por ter acessado. E seus comentários serão sempre bem vindos!

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