Desflorestamento

26 jan

A opinião pública internacional, ou pelo menos sua parte mais intelectualizada tem discutido freqüentemente a capacidade que o Brasil tem de gerir a floresta amazônica no tocante ao uso consciente de seus recursos. Ao mesmo tempo que chega-se à conclusão interna, forçada ou não por meios midiáticos, que algo vai mal ao norte.

A maior parte do desmatamento na Amazônia é causada por atividades pecuárias. Dentro da área que é considerada a Amazônia legal, existem cerca de 70 milhões de cabeças de gado. Esse número representa um aumento de mais de 100% com relação à quantia existente a 10 anos atrás. Vale lembrar que mais da metade deste tempo vivemos sob a administração Luiz Inácio Lula da Silva, que por intermédio do Ministro do Meio Ambiente atual, Carlos Minc, tem procurado desestimular a atividade pecuária dentro do perímetro da floresta. Nada que se mostre efetivamente prático ou funcional.

Os problemas com relação ao desmatamento da floresta são endêmicos. É preciso resolver quase que primordialmente o problemas de moradores locais que não encontram outra atividade economicamente viável a não ser o corte indiscriminado de árvores que deveriam estar sob proteção legal, (no papel estão), mas que não podem ser efetivamente vistoriadas dada a escassez de meios humanos e físicos para a fiscalização.

Na outra ponta deve-se encontrar maneiras de conter o apetite voraz da indústria que consume indiscriminadamente matérias sem selo aprovado de procedência e garantias de que o que está sendo utilizado é legal do ponto de vista jurídico. O trabalho infantil, sobretudo em carvoarias que consome a floresta transformando-a em brasas, (que diga-se irá proporcionar saborosas refeições com os mesmos bois supracitados para alimentar os mesmos indiferentes supracitados e todo o seu apoio eleitorado nacional que não se importam já que a criança na carvoaria não é sua), é outro grave problema.

Mais do que devaneios sobre uma possível invasão e posterior anexação americana, o público em geral deve focar maneiras de pressionar os órgãos públicos responsáveis à fornecer melhores meios de fiscalização e concessões legais para a exploração sustentável da floresta. Fazer com que propina e descaso tornem-se temas obsoletos no debate, não por desuso mas por completa inexistência.

Fonte: Revista Exame  ano 42 – N° 11 -18/06/2008 pp 132-133

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