O QUE É O FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO

11 abr

Fundamentalismo é um termo que surgiu no fim do século XIX nos Estados Unidos a partir de uma base de conservadores cristãos que advogavam uma volta aos fundamentos religiosos.

Entre 1910 e 1913 foram publicados doze livros compondo uma série intitulada Os Fundamentos, com distribuição feita por todo os Estados Unidos.

A série apregoava que a leitura da Bíblia cristã deveria ser feita de forma literal

Esse literalismo baseava-se em um conceito de que a Bíblia era autoexplicativa.

Por derivação com a ascensão do radicalismo islâmico o termo foi utilizado para designar tal movimento.

Porém diferentemente do que o termo representou no primórdio para os defensores cristãos da volta aos fundamentos, os chamados fundamentalistas islâmicos não se enveredaram pelo literalismo e sim pela radicalização exegética islâmica.

Como nasce a nova elite do fundamentalismo islâmico do final do século vinte e inicio do século vinte e um? A resposta encontra-se na jornada do educador egípcio Sayad Qtub que deixou Alexandria em novembro de 1948 para estudar nos Estados Unidos·.

Qtub foi um ferrenho crítico da condição moral e ética ocidental, principalmente dos Estados Unidos. Foi também um fervoroso defensor do uso do Islã como ferramenta para o combate desse mal por ele denunciado.

Conforme Bodansky, jihadistas, tanto do Egito quanto da Arábia Saudita são frutos dos tumultos no mundo islâmico entre o início dos anos 70 e final dos anos 80. Ele cita entre outros eventos importantes como o boom do petróleo ainda nos anos 70, a revolução xiita no Irã em 1979 liderada por Khomeini e a tão famigerada Jihad no Afeganistão que terminou com a retirada das tropas soviéticas do país. Segundo ele esses foram eventos que marcaram a vida de entre outros Osama Bin Laden e Ayman Zawahiri, respectivamente o número um e dois dentro da hierarquia da Al Qaeda quando dos ataques aos Estados Unidos em 2001.

O fortalecimento da economia baseada na exploração e exportação do petróleo trouxe algumas mazelas. Bodansky diz:

 

O súbito enriquecimento da elite dominante e das classes altas e instruídas bem como a exposição ao Ocidente, levaram à confusão e a uma crise de identidade geralmente mal resolvida, que resultaram no radicalismo e na erupção da violência.

 

Também nos anos 70 diversos intelectuais e pregadores islâmicos acharam lugar nas mesquitas e universidades muçulmanas criando um ambiente fecundo para o nascimento do radicalismo. Segundo eles para fazer frente à ameaça que o mundo ocidental que se avolumava frente a toda uma geração islâmica era necessário resgatar o lado conservador do Islã

Outro pensador islâmico que teve um importante papel no nascimento do pensamento radical foi o escritor egípcio Wail Uhtman que em 1975 publicou The Party of God in Struggle with the Party of Satan (O Partido de Deus em Luta contra o Partido de Satã). Segundo o próprio autor, no entanto ao contrário do que se possa pensar o principal inimigo do Islã são os próprios muçulmanos que professam a fé, mas que são opositores enrustidos.

Ainda nos anos 70 a constante aproximação do então presidente do Egito Anwar Sadat à Israel e a evidente submissão de sua administração aos interesses estados unidense gerou uma enorme insatisfação interna em seu país, que acabou extrapolando até emergir por vias extremistas.

Um importante aspecto às vezes negligenciado para se entender a radicalização do Islã, aponta Bodansky, vai além de uma análise superficial da Revolução Islâmica levada á cabo pela liderança do aiatolá Ruhollah Khomeini. Houve uma comunhão mais ou menos na mesma época entre o que pregava a doutrina fundamentalista xiita responsável pela revolução no Irã e a corrente sunita.

 

O movimento radical xiita era a força por traz da revolução iraniana, e seu crescimento no Irã, Líbano e Iraque foi quase simultâneo e paralelo ao renascimento sunita no Egito. No final dos anos 70, a filosofia dos pensadores revolucionários xiitas, expressa em suas publicações, era bastante semelhante à dos que apoiavam os padrões radicais sunitas. Sua abordagem quanto ao diagnóstico e cura para os problemas contemporâneos e sua ênfase na importância fundamental do confronto e luta eram virtualmente idênticas.

 

O extremismo islâmico é, portanto, a forma de ação dos fundamentalistas islâmicos que assim executam um Jihad muito próprio em seu sentido, e que não encontram consonância nas bases fundamentais do Islamismo.

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